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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Teatro Fetichista

                                                                               ("Casal", Pablo Picasso)

Nos lançamos da lua,
Nos aprofundamos no mar.
A culpa é minha e sua
Se viajamos neste bar.

Altas madrugadas,
E não sabemos onde vamos parar.
Almas tatuadas
E já não temos como apagar.

Adoramos estar alucinados,
Pra nós isso é quase tudo.
Não nos importamos com o passado,
É suicídio absurdo.

Eu sou o titã astro,
Você é a deusa do império.
Nossa relação é um teatro,
Não levamos nada a sério.

Interpretamos muito bem
Uma história de amor:
“A serpente do éden
E o gavião predador”.

Quando nossas máscaras caem
É fácil constatar,
Porque nossos egos se atraem,
Porque nossa vida é representar.

Somos escravos
Da nossa ambição,
Somos conchavos
Do nosso rígido coração.

Nosso sucesso jamais balança,
Pois sabemos acontecer.
Sabemos também que o futuro cansa,
E o que interessa no agora é viver.

Somos ricos em personagens,
No teatro ou na vida real.
Polemizamos nossas imagens,
Pois ser popular é ser sideral.

Nosso “amor” está cabalmente certo,
Em nada temos que mudar.
Deturpamos o abstrato e o concreto
Pra nosso talento jamais acabar.

Nos lançamos da lua,
Nos aprofundamos no mar.
A culpa é minha e sua,
E nunca será...


Acesso em: 02 abril 2012





segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bens

                                            
Bens, têm gente que tem:
Garimpado, legado, furtado...
Agora quem nasce Zé Ninguém
De berço já vem telegrafado.

Uns vivem no miserê até a morte;
Outros, Zé Ninguém,
Batalham pra ter sorte
E honestamente se dão bem.

Por isso, veja bem,
Não há ninguém
Tão Zé Ninguém
Que não possa se dar bem.












sexta-feira, 21 de outubro de 2011

SOS Pátria Mãe Gentil

Estou tentando ser gentil,
Estou tentando ficar na minha.
Mas tem uns figuras no Brasil
Tripudiando a nossa Rainha.

Estou tentando ser gentil,
Mas a safadeza tá tão corriqueira,
Entre aqueles que o povo paril
Para honrar a nossa bandeira.

Estou de cara com o Brasil;
Esse povinho que se faz de cego,
Surdo-mudo e senil!
Eta cambada de prego!

Estou de cara com o Brasil
Que aceita esse jogo
Porcoliticamente vil!
Cometer ato pacato é fogo!!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Noite Infeliz


À noite passada, eu estava no maior clima,
numa balada, lá na Lagoa da Conceição,
Com uma mina “tudo em cima”.
Lá pelas tantas, lhe disse cheio de empolgação:

Chega de beijo na boca!
Vamos lá pra sua casa.
Teremos uma noite muito louca.
Eu estou a ponto de brasa.

Só farei gol de placa
No nosso campo de amor.
A minha libido não é fraca,
Quimicamente, sou 100% calor. (...)

Mas nem te conto, Mané.
Paguei o maior micão.
A mulher era o maior filé,
Mas eu a deixei na mão.

Pois o foguete não decolou.
Depois de tanta propaganda...
Não fiz nem um gol.
Desacorçoado, sai de banda.

Isso nunca tinha acontecido; comigo não!
Olha, eu vou te dizer,
Isso tá parecendo mandinga, meu irmão.
Eu vou é me benzer. 

sábado, 8 de outubro de 2011

Abril's (Anagrama)

ABRIL’S: “... em se plantando tudo dá...”
Caminha, que narrativa formal!
Informativo tão realista não há.
Outra afirmação seria banal.

ABRIL’S de honestos trabalhadores brasileiros;
Hiper-suado-subsídio do sul.
Mas o superávit é só para os estrangeiros...
Que sugam, sugam, sugam... Sanguessugas!!!

ABRIL’S de grande renome,
De fascinante beleza,
Com fausta riqueza,
E toda espécie de fome!

ABRIL’S, é lastimável!
A impunidade é de alto- nível,
O eleitorado é controlável,
Essa barafunda é mesmo incrível!

ABRIL’S, prioriza o nosso imposto
Na saúde, e educação pra nação!
Eu quero me orgulhar de morar
Num país que valoriza o seu próximo.

ABRIL’S, que extraordinário seria
Se desiderato não ficasse só no papel.
Mas, como permanece a realidade cruel:
“A minoria acorrenta a maioria.”

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Mulher-Milhares-Mulheres



Mulher é fogo selvagem,
Nos queima em desejos.
Seu corpo é uma viagem
Ao império dos lascivos festejos.

Tem a mulher inocente,
Com seu fruto proibido,
Sua pureza é tão ardente
Que causa  eletrizante gemido.

A Mulher cascavel,
Aquela que te fere,
Com seu venenoso 4 sexo cruel,
Alucinado, é essa que você prefere.

A mulher carente,
Essa é mui deliciosa,
Nunca fica assaz contente,
Quanto mais amor, mais dengosa.

A mulher tímida,
Essa é cheia de receios,
Se avançar o sinal, saí de fugida
Retesando os seios, os meios...

A mulher geladeira,
Essa é fogo de palha,
Você fica de bobeira
Quando na “H”, ela joga a toalha.

A mulher vulcão,
Essa sim, não inventa,
Entorpecente tentação
Que nos desorienta

Nesse universo de belas mulheres,
Tem pra todo gosto.
Sempre tem a que tu queres,
Basta você estar di$po$to.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Artérias Divinas

Com reflexão,
Sem o coração de mármore,
O céu se abre pra iluminar.
É só pedir assim:

Ilumina toda retina
Que tem neblina na visão.
Elimina toda doutrina
Que nos empurra pra prisão.

Ilumina toda rotina
Que nos ensina a melhor viver.
Quem tem fé não desatina
Se na sua horta demorar chover.

Ilumina minha menina,
Linda felina sensual,
Magna sina que me fascina
E me faz ser especial.

Ilumina todo sistema
Que entra em cena preconizando o amor.
Elimina todo esquema
De - ismo predador.

Ilumina a educação problema
E nos dê dilema pra questionar.
Chega de postulado emblema
Que fecha portas sem lecionar!

Ilumina as artérias divinas
Que nos abençoam com iluminação;
Finas matérias-primas
Que sintetizam uma só oração.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

360°



Minha cabeça gira a 360°
Diante desse planeta caos.
Minha mente, descaradamente, mente
Ao deduzir que eu sou feliz plenamente.



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Saudade


Dependendo da saudade,
Pinta uma aflição
Que apertadamente arde
O âmago do coração.

Todo mundo tem saudade,
De lugares ou de alguém,
De compromisso ou liberdade,
Da infância ou de um bem.

“Um bem” pode ser uma bondade
Ou pode ser um valor.
Também pode ser saudade
De um inesquecível amor.

A minha saudade sou eu que persigo;
Ela não é de todo ruim.
É um contentamento que está comigo,
Mas fisicamente longe de mim.

Esse sentimento na verdade
Não é uma coisa querida,
Mas sim o querer que tá na saudade
Que marcou a nossa vida.